O Brasil sangrou como nunca em 2025. Com 1.571 feminicídios registrados, o maior já registrado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os números mostram que o país é inseguro principalmente para as mulheres negras, que são 65,1% das vítimas e, que o próprio lar, que deveria ser o ambiente mais seguro, foi justamente onde ocorreram 62,5% dos crimes contra a vida de mulheres. A barbárie estatística também atinge meninas com até 14 anos, que são maioria das vítimas dos 84 mil estupros ocorridos no período.
A única saída para mudar essa realidade é a mobilização civil. Para transformar a indignação em ação, o Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Arapiraca organiza, no próximo dia 29 de novembro, a 5ª Caminhada pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Liderada pela presidente local, Aparecida Brandão, a iniciativa integra uma mobilização que se repete em vários pontos do país. O objetivo deste ano é realizar a maior edição já vista na cidade, rompendo a bolha do ativismo e trazendo a sociedade civil, as instituições e empresas para a linha de frente das trincheiras.
É aí que a responsabilidade do setor produtivo faz a diferença. O Sindilojas Arapiraca, como um dos grandes parceiros da ação, mostra que o combate a violência contra a mulher é também uma obrigação do comércio local. Afinal, para a economia crescer, um dos primeiros passos é garantir a segurança e bem-estar social, garantindo que as mulheres estejam vivas, seguras e respeitadas.
“Quero deixar um agradecimento especial ao presidente Wilton Malta e ao Sindilojas, que sempre apoiam a causa feminina em várias frentes e entendem a dimensão da nossa luta. É fundamental que mais empresas e instituições sigam esse exemplo e abracem a nossa caminhada. Apoiar o combate à violência é um compromisso social urgente, mas também é uma postura que agrega um valor imensurável à imagem das marcas que escolhem se posicionar do lado certo da história”, afirmou Aparecida Brandão, ao promover reunião de mobilização com lideranças femininas.
De acordo com a líder, a ação precisa de mais apoiadores que compreendam a importância da credibilidade conquistada por quem investe em melhorias sociais. Ela explica que o setor privado de Arapiraca, além da alta capacidade de gerar empregos e desenvolvimento, também pode encabeçar mudanças culturais, estruturando ações de mobilização como a do Grupo Mulheres do Brasil e também se tornando espaço de justiça e acolhimento, garantindo a equidade no meio corporativo.
A caminhada está marcada para o dia 29 de novembro, com concentração no Bosque das Arapiracas, a partir das 16h, e não é apenas um protesto simbólico, é a oportunidade da sociedade e do setor produtivo decidirem que continuarão terceirizando a culpa pela barbárie estatística ou assumirão que o combate à violência de gênero é uma responsabilidade inadiável de todos.
