O que é a Hanseníase?
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae. Sem diagnóstico e tratamento precoces, pode causar deficiências físicas permanentes e exclusão social.
Sinais e sintomas comuns:
- Manchas (brancas, avermelhadas ou marrons) com alteração na sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque.
- Espessamento de nervos periféricos, causando alterações motoras ou autonômicas.
- Áreas com redução de pelos e suor.
- Formigamento, fisgadas e diminuição de força muscular (principalmente nas extremidades).
- Nódulos dolorosos em casos mais graves.
Transmissão:
A hanseníase é transmitida pelas vias aéreas superiores (espirro, tosse ou fala), geralmente após contato prolongado com pacientes não tratados na forma contagiosa (multibacilar). Objetos pessoais não transmitem a doença.
Diagnóstico e tratamento:
O diagnóstico é clínico, com exames dermatológicos e neurológicos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito com poliquimioterapia (rifampicina, dapsona e clofazimina). O tratamento dura de seis a doze meses, dependendo da forma clínica, e interrompe a transmissão nos primeiros dias de uso.
Abandono do tratamento
Um dos principais desafios no controle da hanseníase é o abandono do tratamento. Entre 2014 e 2023, o Brasil registrou 247,1 mil novos casos de hanseníase, dos quais 6,6% foram encerrados por abandono. Esse índice passou de 4,5% em 2014 para 8% em 2023, um aumento de 78,7%. O abandono compromete a eficácia do tratamento, aumenta o risco de complicações graves, promove a resistência antimicrobiana e perpetua a transmissão da doença.
A Hanseníase integra o Programa Brasil Saudável que tem o objetivo de eliminar doenças determinadas socialmente – isto é, doenças que afetam mais ou somente pessoas em áreas de maior vulnerabilidade social. A iniciativa está alinhada às diretrizes e metas da Agenda 2030 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas e à iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a eliminação de doenças nas Américas. Assim, as ações do programa vão além do setor saúde, dialogando com outros setores do governo relacionados à moradia, renda, ao acesso ao saneamento básico e à educação, entre outras políticas públicas.
“Primeira campanha educativa que participei gerou 35% a mais de diagnóstico de casos. Toda vez que há divulgação, há aumento da disseminação da informação e diagnóstico”. Essa é a fala de Maria Leide de Oliveira, médica capixaba que exerceu a profissão por 45 anos, mas continua ativa na causa contra a hanseníase. De acordo com ela, campanhas como “Janeiro Roxo” auxiliam não só na divulgação, mas na discussão sobre o assunto, na construção de rodas de conversa e na avaliação de como as informações tem chegado à população. “O Brasil possui campanhas feitas pelo Ministério da Saúde, estados e municípios que lutam pela desinformação, prova disso é o controle da doença no país. Esse é o caminho: falar de hanseníase nas comunidades, acabar com o estigma, a vergonha e o preconceito”, diz Leide.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) revelam que os casos notificados aumentam geralmente no primeiro semestre, especialmente entre janeiro e maio, possivelmente influenciados pelo impacto das campanhas de conscientização do “Janeiro Roxo”. Por outro lado, observa-se uma redução nos registros nos últimos meses do ano.
Fonte: Ministério da Saúde